13 Razões por que eu venci o “Jogo da Baleia Azul”

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Para alguém que pretende ser otimista é um grande desafio ver o lado positivo do “Jogo da Baleia Azul”.

Já não bastasse o “Jogo” ainda temos de lidar com a polêmica repercussão da série da Netflix: Thirteen Reasons Why (13 Razões Por Quê).

Os dois somados pautam um tema delicado para todos nós: a ideia de tirar a própria vida.

Inspirado por esses episódios e por algumas coisas que eu vivenciei e testemunhei me dispus nesse artigo a compartilhar

13 Razões Por Que Eu Venci o Jogo da Baleia Azul

Espero que sirva de ponto de reflexão para todos aqueles que precisam e querem lidar melhor com jovens de todas as idades.

Por gentileza, veja se faz sentido para você.

Contextualizando

O Jogo da Baleia Azul, que eu saiba, é um desafio criado na Rússia que propõe ao jogador 50 fases de  testes e tarefas até o ápice (ou seria o cúmulo) de incitar o jogador a cometer o suicídio.

Thirteen Reasons Why conta a história de uma menina que deixou em fitas cassetes os 13 motivos pelos quais ela tirou a própria vida.

 

Compreendendo

Da minha convivência quase diária com os jovens, pude vivenciar e testemunhar algumas coisas.

Alguns jovens têm naturalmente um certo fascínio, podemos dizer assim, pelo lado sombrio da vida; tédio, desânimo, tristeza, indiferença e morte.

Creio que é por que a partir de um certo ponto a vida começa a apresentar desafios um pouco maior do que a pessoa está acostumada a enfrentar.

Isso nem sempre é fácil de encarar e provoca uma reação nem sempre fácil de lidar.

Às vezes, nós adultos ao redor, lidamos com esses comportamentos com a sensibilidade de um zumbi hibernando.

Afinal, é difícil perceber o quanto certos comportamentos é apenas para chamar atenção ou o quanto é relevante mesmo.

Mas o que eu percebo é que para muitos jovens a linha entre sucumbir e superar um sofrimento é tênue.

Com variações de grau e intensidade de jovem para jovem, mas alguns são mais frágeis.

Pistas

Como perceber se algo não está na sintonia esperada? Que pistas os jovens dão?

Eu tive uma vivência que para mim foi marcante.

Certa vez, no bate papo após a apresentação do #verdades.inconvenientes um jovem me perguntou:

– O que você diria para alguém que perdeu a vontade de viver? Para quem me conhece sabe que onde antes existia um sorriso agora só existe uma cara séria e tristeza.

– E o que eu mais queria é que pelo menos uma vez por mês pessoas como você viessem até aqui para falar coisas desse tipo para mim.

Eu não sei o que você diria para alguém que perdeu a vontade de viver, mas o que eu pude falar naquele momento foi o seguinte:

Todas essas coisas que a gente houve falar como fé, esperança, coragem, motivação, quanto menos motivos nós tivermos para termos fé, esperança, coragem e motivação, mais importante é ter fé, esperança, coragem e motivação.

É um convite para você encontrar, conhecer e usar a força que você tem dentro de você, para superar esse momento que você está passando.

Em uma outra oportunidade um jovem me enviou uma mensagem agradecendo pois o espetáculo fez ele superar “um momento muito muito difícil” que estava fazendo ele ter “pensamentos muito, muito ruins”.

Se eu que vou eventualmente nas escolas me deparo com essas situações, imagino o que a equipe pedagógica enfrenta todos os dias.

Meu Caso

Enfim, é inegável que às vezes existe por parte dos jovens um certo culto e valorização do mórbido.Uma forma de chamar a atenção, de se auto afirmar.

Mas não podemos subestimar que isso pode ser levado as últimas consequências, justamente por jovens não serem muito hábeis em medir as consequências.

Em relação ao Jogo da Baleia Azul eu vi o depoimento de uma menina no jornal que me cortou o coração. Ela afirmou que jogou por que acreditou que iria tirar a tristeza de dentro dela.

Eu fiquei pensando se na época da minha juventude eu passei por algo parecido. Se eu fiquei entre sucumbir e superar alguma vez.

Sim, já passou pela minha cabeça acabar com tudo de uma vez por todas.

E fiquei me perguntando: Por Que eu não fiz isso?

Fiquei puxando pela memória o que eu aprendi nos momentos em que a vida me apresentava desafios maiores do que eu estava acostumado.

E inspirado pela polêmica da série e do Jogo da Baleia azul me propus a um desafio, um exercício que eu compartilho agora com você.

13 Razões Por Que Eu Superei o Jogo da Baleia Azul

Que eu poderia chamar também: o que eu aprendi com as minhas maiores dores da juventude?

E espero que sirva de algo para alguém em algum lugar.

1

Aprendi que ter medo e insegurança em relação ao futuro é um sentimento natural e que ele pode ser enfrentado e a gente até se habitua a isso.

2

Aprendi que frustrações são lições e que ser uma pessoa bem sucedida não é uma pessoa que nunca fracassa, mas sim uma pessoa que aprende com suas derrotas e continua comprometida com suas vitórias.

3

Aprendi que Ser é diferente de Parecer. Da nossa vida a gente vê o filme todo, cada segundo, e dos outros a gente vê só as fotos (às vezes literalmente, nas redes sociais) e isso nos dá a sensação de que eles sorriem o tempo todo e a gente não. E isso não corresponde em nada a realidade, as pessoas enfrentam dramas tão grandes ou maiores do que o meu.

4

Com 16 anos de idade li a Biografia do Charles Chaplin e aprendi que a persistência é o que a gente faz no dia seguinte que pensamos em desistir.

5

Aprendi que ninguém é igual a ninguém e nisso somos iguais. Por um certo ponto de vista somos todos incompreendidos. Tem coisas que é só entre a gente e Deus ou o Universo, o que você preferir. Deus e/ou o Universo conta segredos só para a gente e não podemos contar para (quase) ninguém.

6

Aprendi que sempre existirão pessoas que nos apoiam e pessoas que não nos apoiam. E cada um de nós é assim também. Não apoiamos a tudo e a todos.

7

Aprendi que eu tenho o direito de cometer erros, de reconhecê-los e de me corrigir a partir deles, e isso é magnífico.

8

Às vezes na vida dá a sensação que só a gente acredita na gente e olha que nem é uma crença tão forte assim, e isso nos fortalece.

9

Às vezes na vida encontramos pessoas que acreditam na gente mesmo quando nem a gente acredita na gente. E isso também é magnífico e também nos fortalece.

10

Às vezes as circunstâncias da vida nos levam a ter uma única opção e é bom que seja assim, pois se tivéssemos duas, muito provavelmente faríamos a escolha errada.

11

Com 19 anos de idade li Cem Anos de Solidão do Gabriel Garcia Marquez e aprendi que se não estamos conformados com o mundo do jeito que está existe a possibilidade de “ir para outros mundos” e na volta podemos até encarar esse com uma outra perspectiva.

12

Aprendi que às vezes a única coisa que nos resta é imaginar que existe algo ou alguém superior a tudo e a todos, e nesse momento corremos o risco de reconhecer que isso além de uma imaginação é uma realidade, e tudo ganha um sentido e significado maior e mais amplo e que Nada é por acaso.

13

E reconheci que todos os poetas, profetas, professores, pastores tem razão quando afirmam que o Tudo o que a gente precisa é de Amor, que Quando se aprende amar o mundo passa a ser seu Que precisamos dar ao amor mais uma chance. Mesmo que isso seja a coisa mais fora de moda que exista. É que no fundo, mesmo que a imensa maioria das pessoas não admitam isso, elas tomam uma quantidade infinita de decisões apenas na esperança de serem mais amadas, inclusive se mutilar para chamar atenção.

O lado positivo

Quando enfrentamos um momento que ficamos entre sucumbir e superar e que a morte parece que está nos convidando para resolver tudo de uma forma aparentemente mais fácil e definitiva penso que:

Na verdade, o que está acontecendo é que a vida está nos convidando a nos transformar, a amadurecer a crescer com os desafios da vida, a sermos melhor do que nós mesmos.

E de certa forma essa transformação é sim uma morte. Uma morte de um outro eu que não serve mais para os desafios que se tem pela frente.

E isso é positivo!

E por mais óbvio ou clichê que minhas 13 razões possam parecer é justamente por isso que precisam ser ditas, por ser óbvio.

Aprendi com um amigo que o óbvio precisa ser dito. Pois, hoje em dia deixamos o óbvio de lado e por deixarmo de falar e praticar o óbvio corremos o risco de assistirmos mais jovens sucumbirem ao invés de superarem. Por carência do óbvio.

Com todo o respeito ao Jogo da Baleia Azul, mas 50 desafios é fácil, quero ver enfrentar os 50 mil desafios do “Jogo da Vida”.

E assumir o risco de ser feliz!