Como melhorar a Educação? Lições da Portela, do Cortella, de Sócrates e Darwin.

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Uma pergunta atormenta, ou deveria atormentar (no bom sentido), 11 em cada 10 educadores do mundo todo. Como melhorar a educação?

Nesse artigo eu vou compartilhar

  • O que eu acredito ser o 1º passo para melhorar a educação

Uma pergunta interessante

Recentemente, após uma apresentação do espetáculo #verdades.inconvenientes o Diretor da escola me fez uma pergunta interessante.

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Você que já esteve em milhares de escolas, o que você percebe dos professores como um todo?

Realmente avaliar todos os professores de uma vez só não é uma tarefa simples, nem sei se é possível.

Mesmo assim me senti convidado a uma reflexão, e dei um palpite.

Sente-se na cadeira! A minha resposta pode mudar a sua vida para sempre. Digo isso porque mudou a minha.

Você, talvez, intuitivamente até faça isso que eu vou te falar. Mas não é a tendência.

Vou compartilhar o primeiro passo para melhorar a Educação como um todo, mesmo sem ser professor, educador, filósofo, sociólogo ou psicólogo.

E não é apenas o primeiro passo para melhorar a educação, é o primeiro passo para melhorar o mundo como um todo, na verdade.

Parece bom demais para ser verdade né? Mas, “se segura na cadeira” que você não vai conseguir discordar de mim.

Um case de sucesso

Para defender meu ponto de vista, convido você a analisar comigo o título da Portela no Desfile de Escola de Samba do Rio de Janeiro em 2017.

Há 33 anos que a Portela não ganhava o título, e se considerarmos apenas títulos não compartilhados, desde 1970. Há 47 anos que a Portela não ganhava o título.

O que o título da Portela nos ensina em como melhorar a educação?

E qual é a pista que essa conquista deixa para o meu palpite aos professores do mundo todo?

Para sustentar meu ponto de vista vou interseccionar (sempre quis usar essa palavra) três pensadores: Mário Sérgio Cortella, Sócrates e Darwin. Assim fica mais difícil você discordar de mim.

Em seu excelente livro Qual é a tua Obra? o professor Cortella apresenta algumas ideias interessantes, é uma mania que ele tem, apresentar ideias interessantes.

Lembrando que estou defendendo aqui a minha possibilidade de resposta para a pergunta Como Melhorar a Educação?

Dentro da ideia de MELHORAR está embutida uma ideia de mudança.

Para melhorar precisamos mudar algo, às vezes, nem temos ideia de que algo seja esse, mas precisamos melhorar algo.

E na trajetória de mudar, de melhorar existe a tensão da mudança.

Tensão essa, que o o Cortella apresenta brilhantemente como a tensão entre a Cautela Imobilizadora x Ímpeto Inconsequente.

Como lidar com incêndios

 

Para mudarmos e melhorarmos não podemos ter uma cautela imobilizadora, como exposto na frase do Fernando Pessoa (mais uma ideia do Cortella):

 

 

Há véspera de não partir nunca, ao menos não há que arrumar as malas.

Fernando Pessoa.

No livro inclusive, o Cortella dá o exemplo de um Corpo de Bombeiros.

Imagina um Corpo de Bombeiros com uma Cautela Imobilizadora? Ao invés de agir em um incêndio, fica “matutando”: Será que não apaga sozinho?

Mas por outro lado, também não adianta ter um Ímpeto Inconsequente, entra com tudo no local sem saber se tem risco de desabamento ou vazamento de gás.

Para mudar, para melhorar é preciso AGIR equilibrando a tensão entre Cautela e Ímpeto.

E o que a Portela tem a ver com tudo isso?

Calma! Antes da Portela, um pouco mais de Cortella.

No capítulo: Um grande passado pela frente, Cortella apresenta a distinção entre Tradicional e Arcaico.

Tradicional é aquilo que vem do passado e nos serve. Arcaico é aquilo que vem do passado e não serve.

Genial! Vou até repetir.

Tradicional é aquilo que vem do passado e nos serve. Arcaico é aquilo que vem do passado e não serve.

A coisa mais comum que existe é querer mudar a Educação, a Vida, o Mundo, fazendo sempre mais do mesmo.

Rejeitando tudo o que é novo e apegado ao passado.

O que o Cortella chama de Mais do Mesmo, por isso o nome do capítulo: Um grande passado pela frente.

Mudança! Portela, um case de sucesso!

Não sei se o Presidente da Portela leu o livro do Cortella.

Mas ao meu ver, o que eles fizeram foi exatamente equilibrar Ímpeto e Cautela.

O que eles fizeram foi justamente “Olhar para o Passado” e separar o que serve do que não serve, aquilo que é Arcaico, daquilo que é Tradicional.

Há 47 anos que a Portela não ganhava um título sozinha.

Pela primeira vez na história a Portela ganhou um título na Sapucaí. O que ela precisou fazer?

A Portela é, ou pelo menos era até então, a escola de samba mais “apegada” às suas tradições.

Até bem pouco tempo a Comissão de Frente da Portela era composta por membros da velha guarda da escola, que cumprimentavam o público educadamente tirando o chapéu.

Ao longo dos anos, pouco a pouco a escola precisou ir desapegando-se de tradições que a impediam de conquistar o título.

Nesse ano ela contratou o carnavalesco mais inovador dos últimos tempos, Paulo de Barros, que soube equilibrar “Doses de Passado” que serve (Tradição) com Inovações.

Ele agiu para mudar. Ele agiu para melhorar.

Veja o depoimento do presidente da Portela a respeito do Paulo de Barros no site globo.com.

É uma pessoa que eu tinha uma certa dificuldade, não era o carnaval dos meus sonhos, apesar de eu considerar um vitorioso. Mas houve uma adaptação perfeita. (…) É uma Portela que não é a de 70, mas é uma Portela. Mostra que houve um entendimento muito bom e uma compreensão do que é a escola.

Luis Carlos Magalhães. Presidente da Portela

Dá para notar nitidamente a tensão entre Tradição x Inovação. Cautela e Ímpeto. Mas, porém, entretanto, sobretudo houve: uma adaptação perfeita

Sócrates + Darwin = ?

Um dos maiores legados de Sócrates é: Conheça-te a ti mesmo.

Posso entender que conhecer a si mesmo é:  distinguir melhor o que serve e o que não serve do nosso passado e o que ansiamos para o futuro.

Um dos maiores legados de Darwin é: Adapte-se.

Ao meu ver, para melhorar a Educação podemos fazer a combinação dessas duas coisas:

Conheça-te a ti mesmo e adapte-se!

O que eu percebo dos professores como um todo?

Agora sim! A resposta que vai mudar a sua vida!

Pelo menos mudou a minha!

Eu não sou tão pretensioso assim, de ter percebido todas as professoras e professores, mas se eu fosse dar um palpite, uma sugestão para todos eu falaria o que eu procuro fazer.

Quando me vi trabalhando com jovens, lidando com anseios de futuro, com expetativas, com um zilhão de possibilidades eu tive que transformar algo fundamental dentro de mim.

A minha forma de encarar a vida.

É bem comum nós encaramos a vida com a ideia de que a Vida DEVERIA ser melhor, de que o Mundo DEVERIA ser melhor, de que o Governo DEVERIA ser melhor e de que as pessoas DEVERIAM ser melhores.

A Crença do Deveria é quase uma desistência, uma bandeira branca. Na maioria das vezes vem acompanhada de análises sócio-econômicas impecáveis, mas que, como resultado prático não mudam quase nada.

Deveria é o Futuro do Pretérito, é a vã lembrança de que um dia tivemos um sonho por algo maior e melhor. Deveria é a conjugação do arrependimento.

Para lidar com jovens, para preparar o futuro é preciso AGIR no presente. Conciliar Passado, Presente e Futuro e começar por onde essas três coisas se encontram. Dentro de si.

E qual é a crença que substitui o Eu deveria ser melhor? Que muda a nossa forma de encarar a vida?

Na minha humilde opinião é: EU POSSO SER MELHOR!

EU POSSO SER MELHOR é a licença, o poder que a pessoa dá a si mesmo, de sempre aprender mais, de sempre melhorar, de continuamente adaptar-se aos desafios da vida.

É a forma de Agir no Presente, em direção ao Futuro sem abandonar o  “de bom” que vem do passado.

É o que eu entendo das ideias do Cortella, é o que eu aprendo com a jornada da Portela.

Eu posso ser melhor!

É o primeiro passo que eu acredito sinceramente para melhorar a educação, a vida, o mundo.

É mudar a pergunta.

Ao invés de: O que deveria melhorar no Mundo?

para

Deu tudo certo no Mundo, o que aconteceu?

É comum avaliarmos porque as coisas dão errado, é mair raro imaginar tudo dando certo, e mais raro ainda AGIR nessa direção.

Outro legado de Sócrates é: Só sei que nada sei.

Mas pelo menos uma coisa eu sei: cada um de nós somos melhoráveis.

Eu posso ser melhor!