O Humor tem limite?

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O Humor tem Limite?

Série: Perguntas Frequentes 1/12

 


Um esclarecimento

Antes de cada apresentação do Stand Up  #verdades.inconvenientes eu seleciono 3 jovens para ser os repórteres da sessão.

Esses jovens têm o desafio de fazer pelo menos uma pergunta para mim

A partir dessas perguntas, "puxa-se uma cordinha" e tem muito mais do que as três perguntas.

Eu selecionei as 12 perguntas mais frequentes que os jovens me fizeram ao longo dessa jornada de mais de 1500 apresentações e de quando em quando (não me pergunte quando) eu postarei elas aqui.

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Talvez você queira encaminhar esse artigo para uma quantidade considerável de amigos, parentes e colegas de trabalho.

Principalmente aqueles esforçados que persistem e insistem em fazer piada de tudo.

O Humor tem limite? Um desafio e tanto

Normalmente eu respondo assim para os jovens: – Com certeza absoluta. Os limites é que dão a graça do humor. 

O desafio do Humor é ser pertinente e inteligente. 

Se ignorar os limites corre o risco de perder o amigo e a piada. Se ultrapassar os limites, com elegância, não perde nem um e nem outro.

Mas, pensando melhor…

Sem limite para o Humor

É claro que se tratando da criatividade, o Humor não tem limites.

Mas, se tratando da abordagem, com certeza absoluta tem.

Eu costumo pensar assim: o desconforto, a ofensa e o mal estar é o RISCO do Humor, mas não é o OBJETIVO do Humor.

Para quem acredita que humor não tem limite nunca trabalhou vendendo algodão doce vestido de Teletubbie na praia.

Eu nunca trabalhei, e nem preciso, para saber que é uma péssima ideia e uma péssima piada.

Eu acredito, sinceramente, que as pessoas que trabalham de Teletubbies na praia, em outra vida, queimaram bruxas. Estão pagando o preço agora.

Humor Como Ferramenta de Diplomacia

Lembrando que o Humor não é necessariamente a coisa engraçada, mas é o estado de espírito com o qual conduzimos nossos desafios e atividades.

Ninguém vai de sunga em um casamento. Nem se for na praia.

Ninguém vai de terno à praia. No máximo dos máximos, vai de Teletubbies.

Ninguém deveria ir de Telettubies a lugar nenhum.

Se rir é o melhor remédio, o humor, antes de tudo, precisa de um bom diagnóstico.

Se a pessoa está gripada ela não toma remédio para tuberculose. Por isso que o Humor tem que ser pertinente e inteligente.

Cada caso é um caso.

As circunstâncias do mundo ao nosso redor atualmente propõe algumas ideias.

Uma delas, por exemplo, é a de que o Humor pode ser usado como combate a intolerância.

A intolerância já realiza um bom trabalho, tem um exército de pessoas que se dedicam diariamente a causa do dane-se os outros.

Na minha forma de compreender o Humor é para desarmar as intolerâncias, fundamentalismos e radicalismos da vida.

Humor para construir pontes e não muros.

 

Alívio Existencial

 

De uma forma global o Humor foi, é e sempre será utilizado como um antídoto de alívio existencial.

Para suportar a existência precisamos de recursos que consolam. Por isso que rir é o melhor remédio.

Para mim o cúmulo da antipatia é aquela placa de repartição pública:

Primeiro porque essa placa transmite uma mensagem de nunca te vi, não sei o que você quer, não sei se é urgente, importante ou circunstancial, mas só de falar comigo corre o risco de ser preso. É meio intimidador.

Segundo porque eu fico me perguntando: quer dizer que eu posso desacatar o funcionário imediatamente depois do exercício da função ou em razão dela?

Imagina! A pessoa fica do lado do funcionário e assim que ele bate o ponto berra no ouvido desse funcionário: E aí energúmeno!

E o terceiro, e mais importante: existe algum funcionário público ou privado que podemos desacatar em função ou em razão dela? Que eu saiba só juiz de futebol.

Imagina isso com os Teletubbies: É proibido desacatar o Teletubbie em função ou em razão da venda de algodão doce.

Só de vestir alguém de Teletubbie já é um desacato.

Efeito Tiago Leifert

Uma precaução é bem importante: evitar a overdose de humor.

Como diz a sabedoria popular:  rir é bom mas rir de tudo é desespero.

Uma ocasião, após uma apresentação do verdades inconvenientes em Santos, uma aluna veio me relatar que outro dia ela começou a assistir vídeos engraçados.

E depois de um tempo não conseguia achar mais graça nenhuma.

Assim como a gente não toma remédio para gripe quando está com tuberculose.

A gente também não toma remédio para gripe quando NÃO ESTÁ com gripe.

Ninguém discute os benefícios da água potável para a saúde humana.

Mas ninguém bebe 45 litros de água de uma só vez por conta disso.

Mais um limite para o Humor: Saber a hora de parar. Deixar saudade. Parar no momento que a pessoa quer mais.

Saber a hora de parar é um desafio na era da Hiper Exposição.

É como a Rede Globo faz quando descobre que alguém aumenta a audiência.

O Tiago Leifert apresenta O The Voice, Programa de Game, Big Brother, o Globo Esporte, o É de Casa…

É Tiago Leifert para tudo que é lado. É quase um desacato.

Uma dica: de vez em quando coloca uma roupa de Teletubbies no Tiago Leifert e não conta para ninguém.

Como ser feliz em 3 passos?

E para finalizar essa conversa, porque tudo tem limite.

O desafio do humor é descobrir a dose certa. O timing, O tempo certo e preciso.

O limite do humor, hoje em dia,  é o politicamente correto.

O clima está tenso, por isso que meu assunto favorito é a nossa maravilhosa e magnífica insignificância diante do eterno e do infinito.

Diria que é um Humor Existencial. Estamos todos no mesmo barco. A Vida.


Para isso sigo alguns nobres princípios para aplicar doses de humor.

  1. Brincar com quem aguenta;
  2. Não brincar com quem se leva a sério demais;
  3. Dê o direito a réplica (mas tenha a tréplica na manga);
  4. Sempre que possível brinque COM e não CONTRA;
  5. Nunca se vista de Teletubbies, isso não tem graça nenhuma.

Não dá para levar a vida tão a sério, já que não sairemos vivos dela mesmo.

E nosso grande desafio é ser feliz.

E você quer saber como ser feliz em 3 passos? Primeiro seja feliz e depois dê 3 passos.